João da Cruz e Sousa - Broquéis - 16 - A Dor





João da Cruz e Sousa - Broquéis - 16 - A Dor


Torva Babel das lágrimas, dos gritos,

Dos soluços, dos ais, dos longos brados,

A Dor galgou os mundos ignorados,

Os mais remotos, vagos infinitos.


Lembrando as religiões, lembrando os ritos,

Avassalara os povos condenados,

Pela treva, no horror, desesperados,

Na convulsão de Tântalos aflitos.


Por buzinas e trompas assoprando

As gerações vão todas proclamando

A grande Dor aos frígidos espaços...


E assim parecem, pelos tempos mudos,

Raças de Prometeus titânios, rudos,

Brutos e colossais, torcendo os braços!



João da CRUZ E SOUSA (1861 - 1898) foi um poeta brasileiro, considerado um dos precursores do movimento simbolista no Brasil. Seus poemas são marcados pela musicalidade e pelo sensualismo, mesclado com uma espiritualidade e religiosidade de maneira às vezes espantosa. Broquéis foi seu livro de estréia, e contém algumas de suas obras mais famosas, como o poema Antífona, peça de abertura do livro.




 João da Cruz e Sousa - Broquéis - 16 - A Dor

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