João da Cruz e Sousa - Broquéis - 21 - Satã





João da Cruz e Sousa - Broquéis - 21 - Satã


Capro e revel, com os fabulosos cornos

Na fronte real de rei dos reis vetustos,

Com bizarros e lúbricos contornos,

Ei-lo Satã dentre os Satãs augustos.


Por verdes e por báquicos adornos

Vai c'roado de pâmpanos venustos

O deus pagão dos Vinhos acres, mornos,

Deus triunfador dos triunfadores justos.


Arcangélico e audaz, nos sóis radiantes,

A púrpura das glórias flamejantes,

Alarga as asas de relevos bravos...


O Sonho agita-lhe a imortal cabeça...

E solta aos sóis e estranha e ondeada e espessa

Canta-lhe a juba dos cabelos flavos!



João da CRUZ E SOUSA (1861 - 1898) foi um poeta brasileiro, considerado um dos precursores do movimento simbolista no Brasil. Seus poemas são marcados pela musicalidade e pelo sensualismo, mesclado com uma espiritualidade e religiosidade de maneira às vezes espantosa. Broquéis foi seu livro de estréia, e contém algumas de suas obras mais famosas, como o poema Antífona, peça de abertura do livro.




 João da Cruz e Sousa - Broquéis - 21 - Satã

Conteúdo correspondente: